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Prefeito cassado, José Crespo revela lista com nomes que teriam participado de conspiração contra seu governo

O temmais.com teve acesso a lista com supostos nomes que teriam planejado a conspiração e queda do governo José Crespo, conforme denúncia feita pelo prefeito cassado; confira

Por Marcel Scinocca
(Atualizado em 23/09/2022 - 6h34)
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O ex-prefeito José Crespo foi ao Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) na quarta-feira (21) para denunciar uma suposta conspiração contra o seu governo e pedir proteção às testemunhas, pessoas que fizeram revelações em um livro que o político está para lançar. O temmais.com teve acesso a lista com supostos nomes que planejaram a queda de seu governo. Entre eles estão políticos da cidade, como Fernando Dini e Jaqueline Coutinho, o delegado aposentado Marcelo Carriel e o empresário e jornalista Kiko Pagliato (confira a lista abaixo).

Crespo informou recentemente que contaria detalhes do processo que terminou com a cassação de seu mandato, em agosto de 2019, em um livro, que teve seu lançamento adiado após sofrer as supostas ameaças. No MP, Crespo apresentou três listas: uma de protagonistas do processo; outra com os coadjuvantes; e a terceira, com as chamadas testemunhas.

Saiba quem está nos grupos

A primeira lista apresenta os nomes que, em tese, conforme Crespo, teriam participado da conspiração. São eles:

  • Fernando Dini, à época presidente da Câmara de Sorocaba;
  • Jaqueline Coutinho, à época vice-prefeita de Sorocaba;
  • Hudson Pessini, à época vereador;
  • Marcelo Carriel, à época delegado seccional;
  • Empresário e jornalista Francisco Pagliato Neto (Kiko Pagliato).

 

Prefeito José Crespo e a vice, Jaqueline Coutinho, em evento em 2017 (Foto: Zaqueu Proença/Prefeitura de Sorocaba)
Prefeito José Crespo e a vice, Jaqueline Coutinho, em evento em 2017 (Foto: Zaqueu Proença/Prefeitura de Sorocaba/Arquivo)

 

O que dizem os citados

Jaqueline Coutinho e Kiko Pagliato disseram que não vão se manifestar. Fernando Dini afirmou que “toda a sua conduta enquanto presidente da Câmara foi estritamente dentro da lei, o que foi ratificado pelo Poder Judiciário”.
Hudson Pessini divulgou a seguinte nota: “Não fui intimado formalmente de qualquer denúncia do ex-prefeito e certamente ela viria a ser de pronto arquivada. A cassação do mandato foi decidida pelo Poder Legislativo em processo absolutamente regular, em decisão mantida pelo Poder Judiciário. Querer reativar essa discussão e ainda com alegações mirabolantes e infundadas seria tomar o tempo de quem tem mais o que fazer. Como dizia minha avó, mente desocupada é oficina do capeta”.
Marcelo Carriel afirmou que “alguém que em dois anos foi cassado duas vezes, e que tem 15 processos entre eles de improbidade administrativa, crimes contra administração pública, organização criminosa e fraude em processos licitatórios, não merece qualquer tipo de credibilidade”.

Segunda lista

A segunda lista tem 14 nomes e eles são os seguintes:

  • Vereadora Iara Bernardi;
  • Vereadora Fernanda Garcia;
  • Vereador Antônio Carlos Silvano;
  • Vereador Francisco França;
  • Vereador Hélio Brasileiro;
  • Vereador João Donizeti;
  • Vereador Fausto Peres;
  • Vereador Péricles Régis;
  • Vereador Vitão do Cachorrão;
  • Vereador Renan Santos;
  • Vereador Wanderley Diogo;
  • Vereador José Francisco Martinez;
  • Vereador Anselmo Neto;
  • Procurador jurídico da Câmara de Sorocaba, Almir Ismael Barbosa.

 

Citados falam

“Gostaria de ver o livro publicado antes de me manifestar. O que posso dizer agora é que fiz parte da CPI que culminou na cassação e agi da forma mais transparente e pública possível durante todo o processo”, declarou Iara Bernardi.
O ex-vereador Anselmo Neto contou que foi procurado para testemunhar no livro e que recusou. Ele ainda alegou que não sofreu nenhum tipo de ameaça, e que não teve acesso ao teor do livro.
O Vereador Péricles Régis disse que não teve acesso às menções feitas pelo ex-prefeito José Crespo, “portanto, irá se pronunciar assim que tiver acesso ao teor das mesmas”.
Vitão do Cachorrão afirmou que não teve tempo de se inteirar sobre o assunto.
Fernanda Garcia comentou que não conhece a íntegra das acusações movidas pelo ex-prefeito cassado, “mas pelo que foi noticiado na imprensa, ele está acusando os vereadores que votaram a favor da sua cassação de se beneficiarem dela, por meio de cargos no governo Jaqueline Coutinho”. “Eu e meu partido, o PSOL, não participamos nem do governo Crespo, nem do governo Jaqueline. Pelo contrário, exercemos oposição a ambos por entendermos que o projeto conduzido por eles é totalmente contrário daquilo que defendemos para Sorocaba. Portanto, qualquer citação do ex-prefeito ao nosso mandato, não faz o menor sentido. Não nos enquadramos na acusação”, diz.

Já o procurador jurídico, Almir Barbosa, diz que “muito me surpreendeu a colocação de meu nome na qualidade de coadjuvante na cassação do mandato do Prefeito de Sorocaba, José Antonio Caldini Crespo, que o mesmo afirma, em peça direcionada ao MP-SP, ser decorrente de um plano inicial de ‘assassinato de sua reputação'”.

“Acompanhei todo o Processo de Cassação na qualidade de Procurador Legislativo da Câmara Municipal de Sorocaba e posso afirmar, sem qualquer dúvida, que transcorreu dentro da mais absoluta legalidade, culminando com a expedição do Decreto Legislativo n° 1.752, de 2 de agosto de 2019, que cassou o mandato do Prefeito Crespo por Proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo (Decreto Lei nº 201/1967, Artigo 4. Inciso X).”

Wanderley Diogo afirmou que não foi intimado e que todo o processo de cassação foi legal, tanto que Crespo perdeu até no STF.

Terceira lista

A terceira lista, com 46 pessoas, apresenta os nomes do que considera como testemunhas e inclui basicamente jornalistas e membros de seu secretariado.

Crespo durante visita à Câmara, em outubro de 2017 (Foto: Felipe Pinheiro/Prefeitura de Sorocaba)
Crespo durante visita à Câmara, em outubro de 2017 (Foto: Felipe Pinheiro/Prefeitura de Sorocaba)

 

O que diz o MP

Ao discorrer sobre o processo que levou à cassação e pedir a abertura de inquérito para investigar o caso, Crespo afirma que, após a cassação, passou a receber, voluntariamente, relatos de “várias personalidades que foram testemunhas oculares ou acompanharam de perto aquele processo social, tudo apontando para a existência de uma verdadeira conspiração premeditada, por parte de agentes políticos, para a tomada antidemocrática e criminosa do poder Executivo local”.
Ele afirma ainda que “sabendo que a conduta do prefeito e do governo eram legais e resolutivas, aqueles agentes engendraram, desde janeiro de 2019, coincidindo com a posse da nova presidência do Legislativo, até a data da cassação, um plano de desgaste da imagem do prefeito, procedimento conhecido no meio político como ‘assassinato da reputação'”.
Teriam participado da conspiração, segundo ele, agentes de parte da Polícia Civil local e da imprensa local, visando vantagens políticas e/ou financeiras com o advento da cassação.

“Para o desenrolar desse plano, até profissionais de marketing e “influencers” foram arregimentados, chegando às raias da ofensa pessoal e familiar contra o prefeito, com falsas (fake) notícias de infidelidade conjugal e outras barbaridades.”

Ainda segundo o prefeito cassado, “entre as evidências cabais dos interesses menores envolvidos, após a cassação, quase todos os vereadores indicaram nomes para o novo secretariado (da vice-prefeita que sucedeu), bem como foram nomeados ao cargo de secretário municipal: um delegado de polícia e um proprietário de emissora de rádio. Entre os tipos criminosos que poderão ser investigados e punidos, estão: abuso de poder, abuso de autoridade, ato de improbidade, injúria, difamação, calúnia, dano moral, peculato, concussão, corrupção ativa e corrupção passiva.”
O empresário e jornalista Kiko Pagliato, citado por Crespo, integrou o secretariado de Jaqueline Coutinho apenas após a primeira cassação, em 2017. Sobre a ida a São Paulo e eventual denúncia apresentada, o MP ainda não se manifestou.